Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Rabiosa actualidad

Ultimamente, o feito de ler a prensa equivale a um prolongado momento de "nom quero mirar, mas nom podo deixar de mirar" característicos de certas cenas desagradáveis como operaçons, accidentes, filmes míticos de canibais, desempregos galopantes ou os típicos desmantelamentos dos serviços públicos no meio de flagrantes corrupçoes legais e morais.


Quel horreur ! Je ne veux pas voir ça !

E isso tudo sem sequer chegar à secçom de "Internacional"...
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Talvez o problema nom seja a prensa, mas o mundo. Ou, melhor dizendo, a fracçom de mundo que se nos permite ver.

[Imagem]

Domingo, 6 de Maio de 2012

Vícios


Antes era adicta à cafeína...


pero agora descobrim a canela!








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Mmmmmmmm, chai! Que rico, mamasinha. Nom che é o chai "verdadeiro", digamos, senom de bolsinhas, mas ainda assi, que vicioso é, caramba, de dia, de noite, à merenda, a todas as horas! Isso si, sobre as alegadas propiedades libido-estimulantes da canela nom me fagam comentar, que nom quero ser responsável de desmitificaçons nem desvalorizaçons, que já bastante temos com primas, e nom das que se arrimam precisamente.

Terça-feira, 1 de Maio de 2012


Nestas setentrionalidades em que nos encontramos desde a última semana nom para de chover (a anterior nom sei, nom contesto). Nós, claro, já estamos avisados de que, entre outras cousas, a auga de Abril enche o carro e o carril. Mas aqui deve ser raro que até hai perigo de cheias e seique dizem os jornais que foi o mês de Abril que mais choveu desde os últimos... bueno, o de sempre parece claro que estadista meteorológico deve ser dos ofícios mais solicitados nos últimos tempos.

No entanto, já estamos a primeiro de Maio, continua a chover, falta fai, pola seca, entre outras cousas, e penso que concordarám comigo em que muitos chuços fazem falta!



A cántaros - Pablo Guerrero

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Com sorte, a auga ajuda-nos a espabilar nestes tempos em que um já nom sabe se é melhor ler os jornais ou nom os ler, num delicado equilíbrio entre o desconsolo, a raiva e o espanto, de sobressalto em sobressalto andamos!
Fala-se muito de "desmantelamento" e, em efeito, nom sei vós, mas eu tenho a sensaçom de estarmos dentro de umha casa mentres chegam uns macaquinhos que começam a levar o telhado, as portas, o chao, e nós ali coa boca aberta, "pero... pero... nom pode ser, está a passar isto de verdade?", sem acabar de crer o que está a passar, assistindo ao saqueio paralisados, embargados polo estupor, pasmados, em choque.


[Imagem]

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

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Vampiros - José Afonso


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Passa o tempo mas tudo continua vigente. Para que depois falem em nom-sei-quê trasnochado e se ridiculizem discursos por anacrônicos e antiquados quando ainda nos vamos ver obrigados a desenterrar mosquetons e guilhotinas metafóricas, mas sem desmerecerem em eficácia.


[Imagem de Coniac Publishing em FreeStockPhotos]

Domingo, 8 de Abril de 2012

All i oli ou a sorte do principiante

Talvez porque o outro dia me sentia parcialmente optimista ou porque simplesmente quis tentar a minha sorte meteu-se-me na cabeça a ideia de tentar fazer alioli. A mão. Porque a pouca tecnologia que havia disponível em forma de batedora está fora de combate.

Depois de um breve período de documentação pola rede adiante, porque não sabia que quantidades e ingredientes, além dos óbvios, levaria ou que técnica haveria que aplicar, mas intuindo que era deste tipo de preparações mágicas e delicadas como a maionese, o pil-pil, o souffle, que não se sabe se são realmente possíveis ou, polo contrário, se são da natureza dos biosbardos, deparei-me efectivamente com maus agoiros e premonições e truques variados (como engadir ovo) destinados a evitar fracassos estrepitosos.

Como resultado, foi com certa apreensão, poucas esperanças e energia decrescente que comecei a remexer os ingredientes básicos, como o próprio nome indica, no morteiro: um pouco alho e azeite. E sal.

Minutos, horas e dias passavam, dá-lhe que dá-lhe, mas àquilo não se lhe viam pintas. Até que de repente, assim como do nada, funcionou!!!


Não se aprecia na foto, mas o morteiro é pequeníssimo, do tamanho da palma da mão. A quantidade que saiu era mínima ou, melhor dizendo, adequada para experimentar, não fosse ser o demo, e o sabor manifestamente melhorável (demasiado alho e demasiado sal) mas... emulsionou!

Seria só a sorte do principiante, mas, ah, a satisfação da ousadia recompensada não se paga com dinheiro. Agora sim, terei-no que repetir algum dia para ver se foi que aquela vez estavam os planetas alinhados ou se é que realmente se pode fazer.

De todos modos, toda esta longa e accidentada introdução era só para falar do fascínio hipnótico que este tipo de tarefas mecânicas, manuais, repetitivas exercem em quem as realiza. Esse efeito calmante, quase anestésico, proporciona pouco menos que uma espécie encantamento e a necessária tranquilidade mental que tanta falta faz em tempos de tormento e tribulação.

Por outro lado, a magia fisico-química que se produz nos lípidos ou nas proteínas é incrível. Assistir a uma transformação estrutural dessas de primeira mão, nunca melhor dito, resulta-me assombroso.

Como lógica consequência e polo bem da minha, ahem, linha, estou a considerar se deveria conseguir um rosário e começar a rezar a novena, que deve ter um efeito narcótico similar. Tudo seja pola absorvente sensação de relaxação e por preservar a (pouca) saúde mental que ainda resta.

Em definitiva, um torturado prazer em que o pulso se ressinte um pouco, mas prazer que bem vale uma que outra cambra no bracinho resignado, sempre que seja por uma boa causa.

Para terminar, informar de que hai dous dias estivem a montar nata para morangos. A mão, naturalmente. Podem tirar as suas conclusões.

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Deus bendiga as licenças poéticas!